Qualidade na Habitação em Portugal (1950 a 2010) – Os Princípios

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Descrição

A expressão “a qualidade na arquitectura sente-se”, foi o primeiro degrau a partir do qual viria a desenvolver-se um trabalho de investigação científica que propôs descobrir Indicadores de Qualidade na obra arquitectónica e que deu origem a uma tese de Doutoramento. O Edifício de Habitação Plurifamiliar foi o objecto escolhido para dar corpo a esta reflexão, tendo sido  determinado um enquadramento territorial em apenas dois concelhos do País: um, a norte, Matosinhos, pertencente à Área Metropolitana do Porto (AMP); e, o outro, a sul, Oeiras, pertencente à Área Metropolitana de Lisboa (AML). A escolha destes dois municípios fundamentou-se no facto de serem concelhos que beneficiaram da descentralização das cidades nucleares, representando motores na expansão e desenvolvimento do território nacional, por terem desenvolvido estratégias próprias de expansão territorial que os distinguiram dos demais concelhos enquanto polos de atracção económica e residencial. A organização dos arquivos municipais dos processos de licenciamento, visados como acervo inédito para a investigação científica em arquitectura e urbanismo, determinou o âmbito temporal da pesquisa e permitiu descodificar os exemplares edificados e constituir categorias que instruem os vários temas obrigando ao permanente diálogo entre as disciplinas exactas e as artísticas. Quais são as verdades que concorrem para a manutenção dos pressupostos do projecto, como e em que condição os edifícios sobrevivem, ao passar do tempo, foram questões que se colocaram, continuamente, e para as quais se procuraram respostas. Percepcionar o que há de mais íntegro na obra, foi o desafio.
O estudo desenvolveu-se a par da recolha teórica de diferentes temas: tecnológico, arquitectónico e administrativo sob o enquadramento da habitação. A análise dos parâmetros recolhidos foi traduzida em gráficos. A leitura e análise destes gráficos ocorreu de duas maneiras: por parâmetros e, por décadas. Este estudo começou pela leitura abstracta da evolução dos parâmetros que deu origem à presente publicação.
Ainda sem terminar esta abordagem tornou-se urgente a contextualização no tempo. O enquadramento histórico, económico, cultural e social que é transmitido pela leitura das décadas é inserido no parâmetro, e este deixa de ser um elemento abstracto, concorrendo para uma leitura
global do edifício. As soluções dominantes foram identificadas e realizaram-se exercícios de entendimento das tendências e das dinâmicas do fogo. Em seguida, desenvolveram-se as hipóteses de modelos teóricos abstractos e representativos da produção dominante do edifício de habitação plurifamiliar, em cada década, e por cada um dos dois Concelhos. A leitura por décadas revelou ser uma análise holística e inovadora que conduziu a momentos de síntese e de descoberta. Abalaram-se alguns entendimentos vulgarizados e formularam-se conceitos superlativos que conduzem à identificação da qualidade. Houve um diálogo permanente entre a parte e o todo, que ofereceu ao estudo realizado estímulos diferentes num reflexo direto das duas abordagens e que se publica num segundo volume intitulado – “Evolução da Habitação em Portugal”.

Informação adicional

Autor

Patrícia Gonçalves Costa

Editor

Caleidoscópio

Edição

2021

Encadernação

Capa mole

Páginas

236

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