O Teatro e o Seu Duplo

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Descrição

Antoine Marie Joseph Artaud, conhecido como Antonin, nasce a 4 de Setembro de 1896, em Marselha. Os primeiros poemas, inspirados por Baudelaire e Edgar Poe, surgem em 1910, sob pseudónimo, na revista que fundou enquanto estudante no Colégio do Sagrado Coração de Marselha. 
Em 1914, em profunda crise depressiva, destrói os seus escritos e pensa em tornar-se padre. Depressões e crises nervosas obrigam-no a várias estadas em casas de repouso e, em 1919, recorre pela primeira vez ao ópio, para combater «estados de dores errantes e angústias». 

Em 1920, é entregue aos cuidados do doutor Toulouse, psiquiatra e director da revista Demain, em Paris, na qual Artaud passa a ocupar-se da secção crítica. A partir desta data, multiplica colaborações com diversas revistas e desempenha os primeiros papéis em teatro. 
A aproximação a André Breton e ao grupo Surrealista dá-se em 1924; Artaud integra a Revolução Surrealista e funda, com Roger Vitrac e Robert Arron, o Théâtre Alfred Jarry. Relutante com a aproximação do grupo ao Partido Comunista, é expulso, em Novembro de 1926. 

Nos anos seguintes, Artaud participa em vários filmes, apresenta peças de teatro e escreve numerosos textos, nomeadamente, reflexões sobre teatro. Em contraste, o seu estado de saúde deteriora-se; crises agudas de angústia levam-no a procurar diversos tratamentos, e a aumentar a dependência do láudano. Publica, em 1934, “Heliogábalo ou o Anarquista Coroado”; mais do que uma biografia do polémico imperador, Artaud esboça neste texto uma cenografia da crueldade, onde princípios contrários se chocam em anarquia. Heliogábalo é o deus unitário que subverte a ordem, sustenta a união dos opostos; o feminino e o masculino, o um e os muitos. 

A temporada no México, em 1936, e especialmente o convívio com os índios Tarahumara têm uma forte influência em Artaud, e inspiram o livro que publicará dez anos mais tarde, “Os Tarahumaras”, uma compilação de textos poéticos e metafísicos. 
Nos doze anos seguintes, Artaud frequentará diversos hospitais psiquiátricos. Jacques Lacan, um dos médicos que o acompanha nesse período, declara-o, em 1938, definitivamente «perdido para a literatura». Mais tarde, o recurso à terapia da arte fazem-no retornar gradualmente à escrita literária.

Em Fevereiro de 1938, Antonin Artaud publica “O Teatro e o Seu Duplo”, em que pretende reabilitar, em oposição a uma concepção estreita do teatro ocidental, a linguagem corporal do actor, feita de gritos, dores rítmicas, espasmos e promover o uso musical e plástico do espaço do palco. 

Em 1945, Artaud inicia duas actividades que o acompanharão até ao fim; faz grandes desenhos coloridos, e passa a escrever e desenhar diariamente em pequenos cadernos de estudantes. No ano seguinte, tem finalmente alta e regressa a Paris, onde organiza exposições dos seus desenhos, escreve e publica textos, declama poesia. 
A 24 de Fevereiro de 1946, escreve a Jean Paulhan: «A minha vida, em todos os instantes, especialmente todas as noites, é uma luta incessante contra a morte.» 
A 4 de Março de 1948, Antonin Artaud foi encontrado morto, provavelmente por uma overdose acidental de hidrato de cloral. Os seus restos mortais estão no cemitério de Saint-Pierre, em Marselha. 

«Do ponto de vista humano, a acção do teatro, tal como a da peste, é benéfica, pois, ao compelir os homens a verem-se tais como são, faz a máscara tombar, põe a nu a mentira, o ócio, a baixeza, a hipocrisia deste nosso mundo; vence a inércia asfixiante da matéria que se apodera até do mais claro testemunho dos sentidos; e, ao revelar às colectividades humanas o seu poder sombrio, a sua força oculta, incita-as a tomarem, diante do destino, uma atitude superior e heróica, que nunca teriam assumido sem o teatro.» 

«”O Teatro e o Seu Duplo”, publicado em 1938 e reunindo textos escritos entre 1931 e 1936, é um ataque indignado em relação ao teatro. Paisagem de combate, como a obra toda, e reafirmação, na esteira de Novalis, de que o homem existe poeticamente na terra. 
Uma noção angular é aí desenvolvida: a noção de atletismo afectivo. 
Quer dizer: a extensão da noção de atletismo físico e muscular à força e ao poder da alma. Poderá falar-se doravante de uma ginástica moral, de uma musculatura do inconsciente, repousando sobre o conhecimento das respirações e uma estrita aplicação dos princípios da acupunctura chinesa ao teatro.» 
Vasco Santos, Posfácio

 

Informação adicional

Autor

Antonin Artaud

Editora

Maldoror

Edição

Dezembro de 2018

Encadernação

Brochado

Páginas

154

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