Descrição
A poesia de Aurelino Costa é braçal e tem que ver com as coisas da terra. Quero dizer, há gente, lugares, casas e bichos que nos remetem para a memória de uma sobrevivência sem máscara nem prótese. Tudo é demasiado real e a sua nostalgia apenas sublinha o quanto nos afastamos daquela que parece ser a nossa própria natureza. Tenho sempre a sensação de estar a ler sobre longe, como se a mais genuína forma de ser já me estivesse impedida. Sinto também a nostalgia e sei que ela atribui uma mágica aos assuntos e aos poemas. Mas julgo que o poema vai crescendo tanto quanto nos encerra no seu exterior. Desabitando aquela humanidade, deixando de saber exercer tão grande esplendor humano, somos testemunhas de como fomos, mas imprestáveis para o continuar a ser. Tudo nestes versos é de ouro. Um ouro que nos acaba. A menos que a poesia, por tão grande utopia, nos salve um dia. Valter Hugo Mãe
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