Babel Magazine

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Descrição

Práticas culturais uigures, a preferência pelo filho homem ou o peso da tradição na vida da comunidade LGBT chinesa.  A segunda edição da revista B人BEL, lançada recentemente em Xangai, conta a história de sobrevivência daqueles que “resistem, crescem e florescem tanto nas margens, como na contracorrente”. Maria de Azevedo Brito, co-fundadora da organização Pyramid of B人BEL e uma das responsáveis pela publicação anual, aqui na primeira pessoa.

Tema

O novo número chama-se “Sheng” (生) – viver, crescer. Mantém o compromisso do número anterior de trazer visibilidade a pessoas pouco representadas nos media e na narrativa cultural. Centra-se especialmente nas histórias das pessoas que resistem, crescem e florescem tanto nas margens, como na contracorrente.

Histórias

São histórias pessoais, em vários formatos: testemunhos na primeira pessoa, entrevistas, poesia e impressões não fictícias, ilustrações e fotografia. Este número começa com uma referência a uma prática cultural uigur que é também um apelo à apreciação cultural – relata os desafios e as motivações de uma jovem professora enviada para uma zona tribal. Depois, retrata em fotografia e através de testemunhos o conflito com a tradição familiar vivida pela comunidade LGBT  (lésbicas, gays, bissexuais e transgénero) chinesa. Aprofunda a questão da “imagem nacional” e o papel das minorias étnicas enquanto “performers” dessa imagem; ilustra questões de género, a preferência pelo filho homem, a violência doméstica; relata histórias de deslocações forçadas nos hutongs de Pequim; explora a experiência de beleza entre a comunidade cega – tem uma ilustração incrível de um poema em linguagem gestual. Este número tem ainda um um poema sublime da poeta portuguesa Sara F. Costa sobre uma trabalhadora de sexo em Shenzhen. As histórias são um tributo às comunidades à qual pertencem e um convite ao público em geral para escutar, e questionar preconceitos.

Capa

A senhora na capa usa o nome Diana. Conheci-a num evento em Xangai, onde pessoas idosas partilharam as suas experiências durante a Revolução Cultural. A história da Diana tocou-me especialmente, por ser uma história de coragem, sobrevivência e aprendizagem constantes. Durante o ‘open call’ para este número da revista, entrei em contacto com ela. A história da Diana precisaria de um livro inteiro para ser contada e, por isso, em vez de a entrevistar, resolvi contactar duas fotógrafas – Wang Zhenting e Shi Zihui, que gerem um estúdio de fotografia em Hangzhou, o Ahh Studio, com quem já colaborámos noutros projectos. O Ahh Studio dedica-se especialmente a “retratar o coração humano”. O projecto fotográfico entre a Diana e o Ahh Studio está publicado na revista, e mereceu o destaque na capa.

Autores

Neste número contámos com a colaboração de 19 escritores, fotógrafos, ilustradores, uma editora de língua chinesa, dois editores de língua inglesa, e cinco tradutores. Recebemos também apoio para a impressão da parte do Departamento Cultural do Consulado Alemão.

Recepção do público

É importante para nós que a representação de comunidades marginalizadas seja fortalecida, e portanto a resposta destas comunidades é a mais importante para nós. Até agora tem sido bastante positiva. No lançamento deste novo número notámos um grande aumento no interesse do público chinês e das livrarias independentes chinesas. Infelizmente, o número de publicações independentes tem vindo a diminuir, especialmente publicações em língua chinesa, o que talvez justifique este interesse. A revista atrai também os estrangeiros, porque é uma oportunidade de contornar barreiras culturais e linguísticas. Especialmente em Xangai, é muito fácil viver sem falar chinês ou sem entrar em contacto com a cultura chinesa, e muitas pessoas acomodam-se nesse aspecto. Isso não significa que haja aqui uma perda de interesse em conhecer o país e a cultura. A revista atrai ainda mais este público, porque mostra um lado do país ao qual é mais difícil aceder.

Projectos futuros

De momento, além da revista, estamos a preparar a terceira edição do Festival Critica, e continuamos a colaborar com algumas escolas e instituições para trazer mais visibilidade e oportunidades a comunidades marginalizadas.

 

originalmente publicada no Extramuros, por Catarina Domingues

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